outubro 23, 2003

Um país deprimente...

Portugal está tão deprimente que, a partir de hoje, me recuso a comentar os acontecimentos desta nossa "coisa" à beira-mar plantada.

Sim, Portugal passou a ser uma "coisa", e bem feia.

Decisão tomada com validade indeterminada.

Publicado por cerebro em 10:27 AM | Comentários (0)

outubro 16, 2003

A prostituição existe Sr. Ministro....

... e não é um fenómeno recente. Em que mundo vivem os nossos governantes? A prostituição existe em Brangança, em Lisboa, no Porto, em Setúbal, em Ponta Delgada, no Funchal, em todo o país. É um fenómeno global. Mas não é um produto da globalização.
A Time noticiou? Claro, como o Le Monde também noticiou o caso Casa Pia. E outros noticiaram tantos e tantos casos bons e maus que se passam no nosso país.
Qual é a ideia? Fazer crer que até à noticia da Time não existia prostituição em Portugal? Ficaram chocados por, na mesma edição, serem relatados factos veridicos relativos à prostituição em Bragança e publicidade ao Euro 2004. O Bom e o Mau. O reverso da medalha. Deus e o Diabo.

Retirar a publicidade ao Euro 2004 na dita revista é fazer censura da mais ignóbil que pode haver. É não acompanhar os tempos modernos a era da globalização. É idolatrar o "orgulhosamente sós e ofendidos".

Não nos devemos sentir orgulhosos quando o nosso país é referênciado, fora de portas, pelo que de pior tem, mas também não podemos enfiar a cabeça na areia e ignorar.

Senhores governantes, vocês são isso e apenas isso, não são o ego pensante dos portugueses.

Publicado por cerebro em 10:22 AM | Comentários (0)

outubro 10, 2003

A culpa é sempre do mexilhão...

Acabo de aceder via “O Independente” ao Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa que ordenou a libertação de Paulo Pedroso.
Esclareçam-me por favor. Um acórdão de um tribunal, seja ele qual for, não deveria estar em segredo de justiça? Se a resposta for não, é bom que venha publicado, pelo menos esclarece, sem especulações mediáticas, o assunto. Se a resposta for sim, algo de muito errado está a acontecer com a nossa justiça e os seus actores.
Quando algo que se encontra em segredo de justiça vem a público a culpa não é dos jornalistas ou dos média que publicitam os factos, mas do sistema judicial que permite que esses mesmos média tenham acesso aos ditos cujos.
O nosso sistema judicial escreve torto em linhas direitas e, o nosso não é um estado de direito, é um estado do endireita.

Se lermos o acórdão seremos culpados de violação do direito de justiça? Se calhar somos. Ainda poderemos vir a ser os bodes expiatórios deste complexo problema. A culpa é sempre do mexilhão.

Publicado por cerebro em 11:13 AM | Comentários (0)

outubro 09, 2003

Passado e presente... de um PP avariado.

“Lembro-me perfeitamente. Como se fosse hoje. Vasco Gonçalves apareceu na televisão mais despenteado do que nunca. Parecia sentado numa cadeira, mas na verdade deitava-se nela. Fazia gestos brutos e metralhava palavras de irritação geral com o mundo. Havia baba e raiva. Ele coçava-se e a câmara tremia. Punha e tirava os óculos ao compasso dos amores e dos ódios. Era uma cena de pura violência política no Estado à beira do colapso.

Eu tinha onze anos e espantei-me. Desde pequenino ouvia falar de política em casa, vagamente no colégio dos jesuítas, às vezes na missa. O meu pai achava que a vida faria sentido para mudar o mundo, a minha mãe suspeitava que a desordem do mundo podia dar cabo da nossa vida. Como é natural, eu não tinha opiniões, só impressões. Nem sabia de razões, só de emoções.

A aparição do companheiro Vasco teve o efeito de me decidir. A imagem dele faz parte da minha memória do mal. Porque há sempre um momento, sei que Vasco Gonçalves teve a maior importância na minha iniciação militante. Se a primeira vez é importante, ele foi a minha primeira vez em política. Podia tê-lo seguido e ficaria do lado de lá da barricada: talvez fosse hoje um desses homens de esquerda que todos os dias matam a sombra, apagam o lastro e gozam o sistema. Mas não. Devo a Vasco Gonçalves o facto de ser uma criatura irremediavelmente de direita.

Olhei para ele e fiquei contra-revolucionário. Daí para a frente, passei a desconfiar dos militares e a detestar o comunismo. Quanto aos militares, façam lá o que fizerem as fardas oficiais, quero-os longe. Quanto aos comunistas, levei tempo a digeri-los. Só agora consigo respeitar um camarada disposto a morrer camarada: é um facto mais digno e humanitário do que a massificação da dissidência. Não passou mais do que um mês. (...)"

Revista K, nº1, Quando eu tinha 12 anos, Paulo Portas, Outubro de 1990, o mesmo Paulo Portas que hoje é Ministro da Defesa e diz que Freitas do Amaral virou à esquerda.

Ah! AH! Ah! Ah! AH! AH!

Publicado por cerebro em 10:59 AM | Comentários (0)