abril 20, 2004

LXI

Palavras são hinos
que arrancam paixões
Palavras são facas
que matam a angustia
de ser e não ser

Um segredo fatal
um acto de insurreição
está feita a revolução.

Guida R. Pires

Publicado por cerebro em 07:55 AM | Comentários (2) | TrackBack

Visões.

Forte tempestade de Neon caiu
sem que os viajantes a vissem.
Caminham pela beira da auto-estrada
encadeados pelas luzes do auto-mobil.
São kilómetros de estrada prateada
coberta de pó doirado.
Nem dão pelos abutres que se escondem
na alvorada, por mágicas transformada
em milhões de rodas cinzentas.
Os viajantes já têm as calças esgaçadas
os bolsos rotos a alma estralhaçada.
É uma vastidão de recordações música e sexo
que se realizam em segredo no asfalto
que é o cérebro da auto-estrada.

Se ao menos houvesse um banco de jardim
Se ao menos houvesse um jardim
Se ao menos houvesse alguém que o plantasse.

Guida R. Pires

Publicado por cerebro em 07:48 AM | Comentários (1) | TrackBack

Sensações.

Artes mágicas escusas nos envolvem
perante a incípidez dos deuses.
Carregamos labaredas de paixão
procuramos ser livres.
Em memórias do passado
negativos de futuro.
Através das células - que inventaram cinzentas
descobrimos a verdade - nossa
e a mentira - vossa.
E os factos que sabemos existirem - ou não.
E a verdade e a mentira.
Verdade mentira
e tudo o que à nossa volta gira.
Ah! coragem coragem
para nas ruas caminhar
com vergonha, vergonha
e minas a rebentar.
Vergonha e medo.
A arte de bem conversar!
Puro álcool extâse.
Perpetua embriaguez
e o medo da caminhada.
Intímos delírios e desejos.
E flores, que abrem de madrugada
quando as cabeças se escondem de dentro
das janelas já fechadas - e das portas.
Leis constantes te reivindicam
sabedoria e crescer.
Temerários seremos ao raiar.
Hoje todos se querem mainstream
também eu - se soubesse o que isso quer dizer.
Só quero viver.
Seja uma picareta ou uma paleta
e porque não uma prisão - sem sol - ar.
Nada importa quando se olha o oceano
ou a televisão. Pateta.
Rosas, rosas
e pobres cobertos de espinhos
rostos serenos. Amenos.
Hoje somos colagens de revistas
não que fosse essa a nossa vontade,
apenas somos - morremos.
Sofro de não verdade.
Mate-mos. Se temos vontade de matar.
Oh! bailarina da caixa de música
esperas para sempre que alguém te liberte.
Não sou eu.
Irmãos gémeos são
democracia e solidão.
Luzes de bordel para o mais vil dos não-vilão.
E a vontade que tens de o pôr em acção - mas não
apenas filmes sem visão.
E sonhos em que t’o dei.
Ah! sou homem mulher
viesses tu nua.
Pela areia da praia
rasgando com garra a penumbra.
Na rua nua.
Penso que somos a soma
quando dois mais dois
não são quatro.

Guida R. Pires

Publicado por cerebro em 07:45 AM | Comentários (0) | TrackBack

abril 13, 2004

Talvez...

Ruas de pedra
Carros de aço
Corações ao alto
Máquina que sou
Agora me desfaço.

--..--

Brumas de saudade, rostos anónimos
sentidos, pelas calçadas magistrais.
Acólitos vislumbres viscerais
sofrimento, ruas de meninos.

--..--

Tenho um amigo que diz:
Não acontece nada de bom.
Não acontece nada de mau.
Antes não tivesse amigo.

--..--

Guida R. Pires

Publicado por cerebro em 08:20 AM | Comentários (0) | TrackBack

(...) XXXI

Ah! pretensão fugídia
rasteira, sombra púrpura
Insigne alma vazia.

Que tendes a cair sem razão
violenta. Ou iris violeta.
Olhas-me. Paixão.

És também carne imberbe
ansiosa. De outras opalinas.
Desespero.

Sangras lágrimas de louco.
Liberdade. Espinhos de rosa
gravando a pedra a escopo.

Guida R. Pires

Publicado por cerebro em 08:13 AM | Comentários (0) | TrackBack

abril 01, 2004

Mundo paralelo.

- E então? O que fazes na vida?
- Eu? Ah! Bom… nada.

Ando por aí sem nada para fazer, como se as segundas-feiras fossem domingos.

Acho que estou novamente no mundo da fantasia. Ainda tenho que acabar de crescer. Porque vou descobrindo coisas novas a cada dia. Por exemplo, descobri hoje que quando se abre uma porta para alguém entrar, atrás desse alguém vem sempre outro alguém. E outro, e outro. E quando damos por nós o mundo inteiro entrou-nos pela casa dentro. Agora tenho que descobrir se isso é bom ou mau.

Quando olhas para dentro e consegues ver o mundo queres estar do lado de fora para sempre. Mas quando te vês do lado de fora anseias por voltar para dentro.

Complexo sistema este a que chamam vida.

Pessoas são almas como estrelas cadentes. A maior parte das vezes não vejo corpos, apenas silhuetas. Como sombras chinesas. Projectadas em paredes púrpuras. Olho, observo estudo e não vislumbro senão imagens dúbias.

Tenho que sinto a morte nas mãos. São estranhas as amarras que se criam. De nada me valem as dúvidas se não encontro respostas. No fim sempre me batem à porta anjos de brisa, entram-me nos sonhos, povoam-me as angustias. Salvam-me por momentos, por instantes de certezas.

Não subscrevo actos de contrição.

Guida R. Pires

Publicado por cerebro em 11:20 AM | Comentários (3) | TrackBack

(...) e pensei.

A liberdade de pensamento foi ultrapassada pelos comboios a 300 km/hora. E isso é f*****.

Publicado por cerebro em 11:18 AM | Comentários (0) | TrackBack