março 31, 2004

(...) e também li.

O amor é o sentido de todas as palavras impossíveis.

(José Luís Peixoto)

Publicado por cerebro em 07:49 AM | Comentários (1) | TrackBack

março 23, 2004

(..) eu escutei.

São palavras patéticas que escrevo numa tela de fundo lírico.

Publicado por cerebro em 08:27 AM | Comentários (2) | TrackBack

março 20, 2004

Sem palavras.

Titulo: Um caso patológico de decadência cerebral.
Subtítulo: Ser não chega. É preciso estar. O meu anjo está!

Talvez seja da idade. Talvez seja da vida. Talvez seja de tudo. Hoje preciso de auxiliares de memória. Esqueço tudo. Mesmo tudo. Esqueço aniversários, o que chega a ser constrangedor. Esqueço os dias, nunca sei a quantas ando. Baralho as segundas-feiras com as sextas. Os domingos com as quartas. Esqueço compromissos profissionais, e até pessoais. Marco encontros com várias pessoas para sítios diferentes à mesma hora no mesmo dia. E no fim nunca sei o que fazer. Escrevo tudo, naqueles papelinhos amarelos. Que proliferam em minha casa, na minha secretária no serviço, e até em casa de amigos e familiares. Distribuo chaves de casa, do carro por tudo quanto é amigo e até menos amigo. E nunca sei quem é que tem o quê. Os papelinhos amarelos? Esforço-me por escrevê-los e depois por encontrá-los. Chego a esquecer de mim mesma. E isso, é o cúmulo do esquecimento. Adormeço, e fico-me. Parada, exilada. Num lugar que eu mesma desconheço. E sonho. Sonho muito. Com pessoas com lugares, que nunca reconheço. Que me entram pela casa dentro, casa que nunca é a minha, mas estou sempre lá.
Se existisse um lugar onde o compromisso não fosse imperativo, a responsabilidade não exigida, a posse não fosse exequível era lá que queria estar. Num lugar impossível. Sem papelinhos amarelos. Sem chaves de casa nem carro. Sem coisas para lembrar. Para não ter que esquecer.
Não encontrei esse lugar, mas encontrei um anjo. Um anjo bom e amigo. Que se tornou o meu papelinho amarelo de estimação. E esse não esqueço.

Guida R. Pires

Publicado por cerebro em 08:15 AM | Comentários (4) | TrackBack

março 19, 2004

O grito da borboleta

- Substâncias psicotrópicas ilegais...? Sim, porque não? Enquanto imagino uma vida que não seja este inferno. Nunca subestimes o poder da negação.

- Porra, saíste-me cá um cabrão desprezível!

- Não. Nada disso. Sou apenas um homem comum, sem nada a perder. Que procura o menor grau de responsabilidade e aceitação.

- Alguma vez conheceste alguém que tenha morrido?

- Não. Mas um dia passeava pela rua, chovia, e vi um pássaro morto. Foi tão triste!
Sabes, por vezes sinto ganas de matar. O que é pouco inteligente e muito emocional. Uma ferida na moralidade.

Há tanta electricidade no ar que quase a posso sentir. E imagino-me como um condenado à morte naquele corredor infame, despropositado. À espera que algo aconteça. Para sempre.

Há toda uma vida nas coisas! Uma vez estive duas horas observando um pedaço de papel que dançava no ar, ao sabor do vento. O vento era tanto, tão forte! E eu só via o pedaço de papel, dançando. É a beleza do mundo. E é tanta que não consigo aguentar. Desfaleço.

É como quando fazes algo que, sabes, não devias ter feito. E dizes: foi instintivo. Agora já está. Não há como voltar atrás.

Chegou o dia, e despi-me para ele. Mas entre nós havia uma barreira de vidro invisível.

- Não podes andar por aí a fazer o que te apetece. Há regras. Tens que respeitar aquilo que não te pertence.

- Nada me pertence. Já viste a sorte que tivemos em encontrar-mo-nos? Não. Na verdade não viste. Quem dera fosses mais feliz.

- Recuso-me a ser mais uma vítima.

- Mas... não foi uma noite má! Apenas estranha. Quero-te. Quis-te desde a primeira vez que te vi. Não vou mais recusar o facto de que tu me impressionas.

Ele viu a morte e sorriu. É difícil sentir raiva quando tanta beleza nos rodeia.

- Tu não tens olhos. Tu não vês. Apenas tens memória, passada. Tal é o meu poder de percepção.

Agora volta para casa pequena borboleta. Voa e volta.

Empalhei o cavalo. A cobra e a águia também. Já não sei o que fazer.

Por fim, ouvi um estranho barulho. Um grito. Como uma criança que chora. E fugi.

Tem vezes que ainda acordo e oiço os gritos da criança.

Era Amor? Não sei. Se era, não chegou a começar.

Estrelas são tatuagens brilhantes em fundo azul celeste.


Guida R. Pires

Publicado por cerebro em 09:17 PM | Comentários (1) | TrackBack

Um número como outro qualquer.

São 23.00h em Portugal continental e Madeira e 22.00h no Arquipélago dos Açores. Não que isso tenha grande importância, mas acabei de perceber que esta é a minha entrada nº 101. Ou seja, ontem, dia 18 de Março de 2004 escrevi a minha entrada nº 100. Não deixa de ser um nº bonito. E este "post" é, para todos os efeitos, um exercício de narcisismo.
100 entradas são 14 por mês. Uma victória da persistência. O que para mim, que sou de natureza impaciente, não deixa de ser um marco.
Há agradecimentos que vou querer fazer, talvez no "post" 1000.

:)

Publicado por cerebro em 09:11 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 18, 2004

E actualizações?

Peço desculpa aos meus amigos blogers, que gosto de pensar que são todos, mas ando atarefada em reuniões atrás de reuniões no serviço, tem-me sido impossivel vir aqui.

Volto em breve com mais textos e poemas.

:) Guida R. Pires

Publicado por cerebro em 12:02 PM | Comentários (2) | TrackBack

março 12, 2004

Luto. Indignação. Horror.

SOLIDARIEDADE



Publicado por cerebro em 09:46 AM | Comentários (2) | TrackBack

Vento norte... forte.

Não quero piedade nem sorte
Quero o vento norte
Forte
Batendo contra

Manda-me uma carta para o inferno
De onde ninguém sai vivo
E aí eu saberei
E me deixarei levar
Pelo vento norte
Forte

Meu beijo se perdeu
Na artéria principal
Da cidade virtual

Meu segredo acalentou
Noites perdidas de dor

Que me desenhem os passos
Que me destinem a vida
Para não mais ouvir
O vento norte
Que bate forte

Mas ele é o mesmo
Que leva para longe o vulcão
Que bate, bate e explode
Dentro do meu coração

Quando a cabeça já só agita
Pareceu-me ver-te sorrir
Pareceu-me ver-te cantar.

Donde é que me vem
Este gosto de sangue na boca?

Esta vontade de matar.

Donde é que me vem
Esta secura que me mina a alma?

Esta vontade de morrer.

Guida R. Pires

Publicado por cerebro em 09:07 AM | Comentários (0) | TrackBack

Somos uns teóricos.

Nada se inventa. Tudo se reinventa. Mesmo as palavras. Mesmo as ideias.

Publicado por cerebro em 07:20 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 02, 2004

Não sou.

Não sou branco nem preto
Não sou cara nem coroa
Sou banido. Animal bandido
Sem alma sou rio sem margens

Sou palavras que digo em Dezembro
Para esquecer em Janeiro
Sou fogo que pensamos extinto
Surdo num mundo de sons

Mas... talvez tenha alma!
Info-alma
Talvez tenha corpo!
Electro-corpo
Certamente sinto
Sentimentos televisionados.


Guida R. Pires

Publicado por cerebro em 09:56 AM | Comentários (1) | TrackBack

"Da Morte Voluntária"

Uns morrem tarde demais, e alguns morrem demasiado cedo. O preceito: "Morre a tempo!" ainda nos é estranho.
Morre a tempo; tal é o conselho de Zaratustra.
Mas como poderá morrer a tempo aquele que nunca viveu a tempo?

"Da Morte Voluntária" in Assim falava Zaratustra
NIETZSCHE


Nego-me ao fácil e ao previsivel.

Publicado por cerebro em 07:25 AM | Comentários (0) | TrackBack