... então hoje segunda-feira.
Nem tenho vontade de dizer algo de muito interessante. Ou talvez não tenha nada de muito interessante para dizer.
Alguns politicos da nossa praça deveriam fazer como eu. Se não têm nada de interessante para dizer, então que se calem.
Elia kazan morreu. Fica a obra. A excelente obra. Ficam obras primas como "Um electrico chamado desejo", "Há lodo no cais" e "A leste do paraiso". A morte tem o poder de nos fazer esquecer os factos negativos e relembrar para sempre as obras que só algumas mentes brilhantes conseguem produzir. Nalguns casos, e este é um deles, ainda bem que assim é.
Tem duas semanas, talvez três, que ando nesta experiência de "blogar". E, ou por mera curiosidade ou, porque me visitam e comentam, lá vou descobrindo blog's muito interessantes. Quando isso acontece perco-me no tempo... relativo.
Assim descobri o Adufe do Rui MCB, e O vento lá fora do Paulo Querido.
Aqui ficam nos meus preferidos.
Um abraço para os dois.
Já lá vão três dias que as nossas televisões de altissima definição, nos debitam imagens históricas do "Estranho caso do helicóptero nº15".
Afinal o que aconteceu?
Pesquisemos nos, pelos vistos, mais recondidos meandros na nossa memória. Em Agosto e Setembro deste ano arderam em Portugal cerca de 400 mil hectares de floresta. Morreram 16 (?) pessoas, arderam casas, familias inteiras ficaram sem sustento. Portugal revoltou-se, pediram-se apoios, ao governo à UE, ao mundo civilizado. Vieram os Russsos, os Dinamarqueses, os Espanhois, o "diabo a 4". Depressa se tratou de encontar culpados. Os pastores? Culpados. Os ex-combatentes? Culpados. Os piromaniacos? Culpados. A velhota que não sabia o que fazia? Culpada.
E agora, o helicóptero nº 15? Culpado.
É anedótico.
Se não fosse tão triste, seria hilariante.
... Por quem?
Pelas vitimas? De quê?
De pedofilia, de violação, de violência doméstica, de assassinato, de roubo violento, de crime de colarinho branco (ou esta expressão está em desuso?), de pobreza, de miséria? de... de... de... de...
Quantas mais Marchas Brancas Portugal terá de fazer?
Continuo a pensar que estamos, todos, a sacudir a água do capote. E estas "manifestações" culturais/populistas/extremistas não ajudam nada. Como não ajudaram as outras, igualmente extermistas, "manifestações" de apoio aos presos preventivos do caso Casa Pia.
Portugal está dividido mas, mais que dividido, está confuso, estupefacto e, em breve, se não se deixar a justiça seguir o seu caminho sem pressões, ficará envergonhado, apático.
Srº Presidente da edilidade, não precisa gastar o nosso dinheiro para propagandear a obra feita. É dinheiro mal gasto, é narcisista, é achar que todos nós somos "parvos", já para não dizer que é de um grande mau gosto.
Se todos os ministros deste nosso governo (defesa, ambiente, educação, saúde, etc.) pagassem uma taxa por cada asneira que dizem, meus amigos, o país saí da crise. Ai! não não saí.
Mas corriamos o risco deles irem todos aprender chinês só para não pagarem.
Ouvi hoje, numa das nossas tv's, o ministro da educação dizer que é necessário investir na educação, por isso uma das medidas é o aumento das propinas no ensino superior.
Brilhante!! é necessário investir, então nada melhor do que pôr (obrigar) os maiores interessados (alunos) a fazer o seu primeiro investimentozinho. Alunos/empresários. Fantástico.
E porque não professores/empresários? E os professores passarão a pagar o aluguer das salas de aula.
E, já agora, um ministro/empresário? Ele passará a pagar do seu bolso as asneiras que diz da boca para fora. Quantas mais palavras tiver a asneira mais paga.
Enchia os cofres no ministério da educação. Ah! Garanto que enchia.

Decidi, finalmente, ler "Veronika decide morrer" de Paulo Coelho. Mesmo sem a vossa preciosa opinião. Fiz bem. Escrita clara, escorreita, acessível. Temas complexos, são sempre complexos os meandros da mente. Comecei com dúvidas, foram-se desvanecendo com o desenrolar da história e, acabei questionando a minha própria normalidade. Iniciei a leitura ontem, no silêncio da noite, que é quando gosto de ler. Não consegui parar.
Os livros funcionam comigo como as pessoas. Quando conheço uma pessoa se ela me cativa, se a conversa é boa, se me fizer rir, se me conseguir supreender, a amizade começa e, provavelmente fica para toda a vida. Com os livros é igual, leio a primeira página, cativa-me, leio a segunda, surpreende-me, as seguintes prendem-me e, não consigo parar. Revejo-o sempre que tenho vontade. Aconteceu-me com este "Veronika decide morrer". É simples e intenso. A normalidade das personagens assume-se nas suas diferenças.
Vale a pena ler.
Não sou como o MRS. Agora só volto a pegar num livro lá para sexta-feira.
Ontem revi:
"The Hours" - Intriga-me
"Fala com ela" - Sensibiliza-me
"8 Femmes" - Faz-me rir
Vitimas & culpados?
Voltei à cidade e achei negro.
Está tudo fora de controlo.
O tempo agora é infinito. Os dias iguais às noites.
Não há nada que possamos fazer.
Nascemos amantes e morremos sózinhos.
Por agora as manhãs explendidamente sonolentas
terminaram.
As noites eléctricas vibrantes de luzes
e corpos. Adiadas.
Talvez quando formos velhinhos.
Não há nada que possamos fazer.
Ela quer carros & jóias & lojas brilhantes
banqueiros obesos & restaurantes de fast-food.
Será suposto fazermos algo?
Dizem até que a vida vai muito bem.
A mim parece-me uma trágico-comédia.
É suposto dizer que está tudo muito bem.
Não tenho a certeza do que deva fazer.
A cidade é o limbo & o abismo.
Por causa dela preciso descansar.
Preciso crescer. Para lhe dar vida & verdade.
Preciso acreditar no que dizem os seus olhos.
No poder da desolação. Na força
das viagens sem retorno
Quero ser livre & louco & fraco. Quero viver.
Dar vida à cidade.
Quero a luz de volta, os passeios à beira-mar
os lugares comuns, as conversas espirituosas.
De volta à cidade descobri que a cidade não tem volta.
Guida R. Pires
Li a semana passada no Expresso, apesar de tudo ainda gosto de sentir o papel a deslizar entre os dedos, um artigo de opinião da Inês Pedrosa acerca do Hino Nacional. Logo me recordei de um episódio de há uns anos atrás, em que o actor João Rolo, penso que era ele, foi apupado, banido, e talvez até punido, por ter tido a ousadia de cantar o Hino Nacional ao estilo, que muito me agrada, pop rock. Anos mais tarde, como Inês Pedrosa refere e muito bem, Alçada Baptista sugeriu alterar a letra do dito cujo. Caiu o Carmo e a Trindade neste nosso Portugal de velhos do Restelo. Ora bem, ainda sou do tempo em que na escola primária se cantava o hino de manhã, a olhar para as fotografias do Almirante Américo Tomás e Professor Marcelo Caetano. Na altura faziamo-lo primeiro por obrigação, depois porque tinha de ser. Eu, na minha inocência de criança, achava que aquilo tinha algo a ver com o grande poerema épico de Camões, os Lusíadas. Não me perguntem porquê, era assim e pronto. Mais tarde percebi o quanto estava errada. Os heróis do mar nobre povo nação valente, a que se referem o nosso hino, já não existem. O explendor de Portugal, hoje, é um Sebasteanismo primário. Às armas contra os canhões marchar, desculpem-me os mais sensiveis, mas é coisa de gente doida. Não queremos todos, afinal, a PAZ?! E não queremos todos alcançá-la sem canhões, sem guerras?! Não deveriamos pregar, em vez, o Amor entre os povos, a Solidariedade, glorificar a Paz, essa palavra tantas vezes espezinhada?! Talvez seja ingenuidade minha mas lanço aqui o desafio: vamos escrever uma letra diferente para o nosso Hino, mantendo a musica, que é mais difícil de alterar.
Propostas aceitam-se.
Escreveu RAP em "O gato fedorento" a propósito de JPP.
"O que eu mais gosto no Pacheco Pereira é aquela compulsão para dizer o contrário do que o resto do mundo estiver a dizer na altura. Se houver muita gente indignada, Pacheco Pereira apela à serenidade. Se houver serenidade, Pacheco Pereira apela à indignação."
Quando leio este tipo de conclusão sobre alguém sinto-me serenamente indignado. Ou será indignadamente sereno?!
Sou apartidário, embora por vezes seja de esquerda e outras de direita mas, a maior parte do tempo prefiro o centro. Agora, do que eu gosto mesmo é dos contrários, por isso gosto do RAP e do JPP também. Só não gosto do PP e, não me perguntem porquê.
Ofereceram-me o livro "Veronika decide morrer" do Paulo Coelho.
Deverei começar a lê-lo ou, devo esquecer e deixá-lo adormecido na prateleira?
Tenho sido bombardeado com a noticia de que o gastão andava desaparecido. No inicio pensei que se referiam à personagem de banda desenhada com o mesmo nome. Mas não, puro engano, era mesmo o cão do secretário geral do ps. Fantástico! Não sei o que será mais ridiculo, se pôr o país a falar do gastão boneco animado ou do gastão cão do outro!
Deverei levar a noticia na reinação ou, ficar preocupado porque os meus conterrâneos andam mais preocupado com o gastão do que com os problemas reais deste nosso Portugal? Andaremos todos alienados?
Acabei de ver os Tele Jornais das nossas tv's. Começou a Reentre politica no parlamento. Lindo. A oposição continua contra o governo. Normal, é o seu papel. O governo continua contra a oposição. Anormal, o seu papel é governar. Diz a oposição que há 7.000 novos desempregados, no país, todos os meses. Espectacular! O Governo diz que não. Claro! Digamos que são metade, 3.500. O que isso importa? Enquanto houver UM novo português desempregado todos os meses, estamos com um problema. GRAVE.
O governo que governe. A oposição que proponha.
Outro dos temas da sessão foi as faltas dos deputados. Outra vez?
Deputados, governo, presidente da assembleia e, já agora, jornalistas, ainda não perceberam que , se faltam justificam!!!
Eu sou um cérebro que tem um corpo funcionário público, se falto justifico, se não justificar sou punido, se sou punido sofro as consequências! Os nossos deputados são funcionários públicos e, as leis quando são feitas são-no para todos.
EU TAMBÉM QUERO QUE ME PAGUEM O PASSE SOCIAL!!!!
Os fogos continuam. É péssimo. Não façam dos fogos postos os bodes expiatórios, são só 13%. Estudos provados e comprovados. Apostem na prevenção, nos bombeiros e utilizem os militares.
A pedofilia continua. E não é só na casa pia. Deixem-se de "merdas" e desatem os nós. Para bem do país. Chega de expeculações.
As pontes continuam a cair. Utilizem o dinheiro dos contribuintes de forma correcta. É UMA EXIGÊNCIA.
O relvado do Sporting está uma merda. Ah! Euro 2004! Afinal será que te merecemos?
De volta à cidade sem volta
Volto à cidade e,
ela não é a mesma.
Agora a cidade é
um imenso dormitório.
De bandos de miúdos, como pardais dementes.
Enroscando-se nas saídas de ar quente do metro.
Gente infeliz sem lágrimas.
Continuo a ouvir o som seco
dos tacões na calçada.
Das ruas que ainda sobem
sem vida.
A cidade arrasta-se e leva com ela
a alma de nós, pobres coitados.
Vai sobrevivendo, vai sobrevivendo.
Parece que houve aqui uma guerra (i)moral.
Que ruma para a frente. Volta para trás.
(Prelúdio)
Toda a cidade foi submersa
por um doce manto de névoa.
Já não tenho mais tempo para ti.
Desde que decidiste viver no meu túmulo
fiquei sem espaço e sem tempo.
E trouxeste contigo aquela pedra brilhante
resquício de uma vida feliz.
Nos últimos dias tenho andado parado.
Tentando exorcitar os fantasmas ou,
dar-lhes vida eterna.
É mítica esta força que me mantém
em movimento parado.
Vai ficando difícil ter um quarto reservado
onde possamos, nus, estremecer e suar.
Vai ficando difícil fazer
gemer o prazer. Sem ter que pedir licença.
Tudo isto é virtual. E nós somos
soldados mutilados da guerra
Sexo & Sida & Internet
Guida R. Pires
(continua)
Aforismos e Impressões
Génio e Louco
Gigante e Duende
Pensamentos Trans-Lúcidos
Ébrios
Batalhas Campais
Viajantes da Lua
Bêbado Organizado
Galões e Condecorações
Símbolos Icones
Sucesso Progresso
Rádio TV
Guerra e Religião
Perante a tela vazia
o grande criador sucumbiu
Luxuria e Prazer
Noite Cor Magia
Divina Paixão e Arte
Seda Setim e Sangue
Tédio Sabedoria e Liberdade
Prenderam os libertadores
por errados padrões
enquanto a multidão enraivecida
destruía palácios de mármore e oiro
O senhor todo poderoso resvalou
atormentado por consciências mediáticas
Foi um flash vê-lo ali despido
Balbucionando palavras desconexas
babando uma mistura de esterco & ranho
Devia acontecer mais vezes, evitava
a droga o whisky e dementes acasos
Guida R. Pires
Amo e caio até ao fundo da inconsciência
Sucumbo
Vergado pelo peso da minha alma
Destroçada
São vocês vida? São vocês paz?
Eu sou, uma morte esperada
Uma estranha forma de ser
Esquecida Transviada
Guida R. Pires
Penso que isto não está a resultar. Ninguém quer alugar cérebros. Não percebo, se eu pudesse alugava um, embora me dê muito mais jeito alugar o meu.
Se pudesse alugava o cérebro do JPP por uns dias e, escrevia aqui algumas frases brilhantes. Ou o do PP e, escreveria aqui algumas asneiras de antologia.
Mas quero mesmo é alugar o meu. Só para ver se a ideia tem pernas para andar.
Candidatos(as) precisam-se.
Mudo de vida quando todos os cinzeiros estiverem cheios.
Gosto:
Do Abrupto
Da Janela Indescreta
Do Republica das Bananas (pena que estão parados)
Do Infames (pena que acabaram)
Não gosto:
Do Paulo Portas (ainda bem que ele não tem Blog)
Oh, muribunda alma
que ninguém te quer
que ninguém te chama!
Oh, caminhos descalços
rosas medonhas
sentidos precalços!
Fim que não encontro.
Fim que não prevejo.
Guida R. Pires